Nem sempre uma classificação na Libertadores precisa vir acompanhada de futebol bonito, domínio absoluto ou uma atuação para guardar na memória. Às vezes, é necessário sobreviver. Foi exatamente isso que o Corinthians fez diante do Rosario Central.
O 1 a 0 na Neo Química Arena colocou o Timão nas quartas de final da competição continental e manteve vivo o sonho do único título ainda possível em 2026. Mas quem olhar apenas para o resultado não entenderá completamente o que aconteceu.
O Corinthians esteve longe de jogar bem. Teve dificuldades para criar, perdeu a disputa pelo meio-campo em vários momentos e voltou a sofrer com uma expulsão. Curiosamente, porém, foi quando tudo parecia ficar mais difícil que apareceu aquele Corinthians que sua torcida conhece tão bem.
Foi uma classificação muito mais sustentada pela raça do que pelo futebol.

O Corinthians ficou devendo futebol
Depois do importante 0 a 0 conquistado na Argentina, esperava-se um Corinthians agressivo desde os primeiros minutos, empurrado pela Neo Química Arena e disposto a mostrar ao Rosario Central quem estava jogando em casa.
Isso não aconteceu.
Com exceção de uma finalização perigosa de Kaio César aos 13 minutos, o Timão pouco ameaçou de verdade no primeiro tempo.
O Corinthians até finalizou mais, mas quantidade não significou qualidade. O Rosario conseguiu controlar melhor determinados espaços no meio-campo e levou a partida exatamente para o cenário que desejava.
Alexis Herrera também contribuiu para um confronto constantemente interrompido pelas faltas. Os argentinos aproveitaram o ritmo picotado para gastar tempo e aumentar a impaciência corintiana.
Quanto mais o relógio avançava, maior ficava a sensação de que a noite poderia terminar de maneira traumática.
E então veio Raniele.
Outra expulsão que poderia ter custado uma temporada
Aos 12 minutos do segundo tempo, depois da intervenção do VAR, Raniele recebeu cartão vermelho por atingir Copetti com a trava da chuteira.
Era tudo o que o Corinthians não precisava.
No jogo de ida, Allan já havia sido expulso aos 34 minutos da etapa final. Uma semana depois, novamente um jogador corintiano deixava seus companheiros em inferioridade numérica.
Em uma Libertadores, repetir esse tipo de erro pode significar eliminação.
Desta vez não significou.
A expulsão poderia ter desmontado emocionalmente o Corinthians. Em vez disso, pareceu despertar algo que até então não havia aparecido.
Com dez jogadores, o Timão encontrou a energia que faltava quando tinha onze.
Classificação não pode esconder os problemas
Existe uma tentação natural de transformar uma noite como essa em prova de que tudo está funcionando. Não está.
O Corinthians precisa jogar mais.
Não pode transformar expulsões em rotina. Não pode depender constantemente de momentos individuais para solucionar partidas nas quais apresenta dificuldades coletivas. E precisa encontrar alternativas ofensivas melhores para não depender exclusivamente do retorno de jogadores como Memphis e Yuri Alberto.
O Estudiantes provavelmente cobrará um preço muito maior por esses erros.
Mas Libertadores também é uma competição na qual saber sobreviver importa quase tanto quanto saber jogar.
E nisso o Corinthians foi enorme na quinta-feira.
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