Perder nunca é bom, principalmente dentro da Neo Química Arena. Mas o 2 a 1 sofrido pelo Corinthians diante do Cruzeiro, no último domingo, pelo Campeonato Brasileiro, precisa ser analisado além do placar. O time de Fernando Diniz mostrou futebol para competir em alto nível, apesar do pouco tempo de recuperação após a viagem à Argentina. Ao mesmo tempo, deixou um alerta evidente antes da decisão contra o Rosario Central: jogar bem não basta quando falta eficiência.
O primeiro tempo talvez seja a melhor demonstração disso.
O Corinthians controlou a partida e teve oportunidades suficientes para construir uma vantagem. Pedro Raul cabeceou sem força, Kaio César parou no goleiro e Rodrigo Garro, na melhor chance, acertou a trave.
Quem desperdiça oportunidades corre o risco de ser castigado. Foi exatamente o que aconteceu.

Corinthians pagou caro pelo erro e pelas chances perdidas
Aos 35 minutos, Matheuzinho perdeu a bola no meio-campo e permitiu ao Cruzeiro construir a jogada que terminou no gol de Bruno Rodrigues.
Foi um castigo pesado diante do que acontecia em campo.
O Corinthians não se desmontou. Continuou controlando as ações no início do segundo tempo e encontrou o empate aos 12 minutos. Depois da cobrança de falta de Garro e do afastamento ruim do goleiro Otávio, Gustavo Henrique acertou um belo voleio.
A reação reforçou a impressão positiva deixada pela equipe. Mesmo com apenas um dia de treino e descanso após retornar de Rosário, Diniz colocou praticamente seus titulares em campo e recebeu uma resposta competitiva.
Houve intensidade, presença ofensiva e equilíbrio defensivo. O problema apareceu quando o jogo começou a exigir o banco.
Diferença entre os elencos ficou evidente
A partir da metade do segundo tempo, a partida mudou.
Enquanto Diniz precisou recorrer a reservas que hoje entregam menos do que os titulares, o Cruzeiro fez o caminho inverso. A equipe visitante começou com uma formação alternativa e posteriormente colocou nomes como Gérson, Matheus Pereira e Arroyo.
A diferença pesou.
Com os espaços aumentando, o Cruzeiro passou a encontrar situações que antes praticamente não apareciam. Aos 36 minutos, Garro recebeu dentro da área, não conseguiu finalizar e caiu. Na sequência, o adversário acelerou o contra-ataque e Wanderson marcou o gol da vitória.
Não significa que o Corinthians tenha sido dominado. Significa algo talvez mais preocupante para uma equipe que disputa uma competição eliminatória: hoje, determinadas substituições diminuem consideravelmente o nível do time.
Boa atuação não será suficiente contra o Rosario
É justamente aí que a partida contra o Cruzeiro encontra a Libertadores.
O desempenho oferece motivos para Diniz acreditar em uma classificação. O Corinthians mostrou que consegue controlar uma partida, criar oportunidades e manter intensidade mesmo depois de uma sequência desgastante.
Mas também mostrou exatamente o que não pode acontecer na quinta-feira.
Depois do 0 a 0 na Argentina, o Timão precisa vencer o Rosario Central por qualquer placar para avançar às quartas de final. Não haverá espaço para transformar três boas oportunidades em nenhuma bola na rede.
O Corinthians saiu derrotado pelo Cruzeiro, mas não necessariamente menor do que entrou. A atuação foi melhor que o resultado.
Só que mata-mata não premia impressão positiva. Na quinta-feira, o Corinthians precisará transformar domínio em gol. Caso contrário, jogar bem poderá servir apenas como explicação para outra frustração.
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