Decisão nos contratos do Corinthians gera crítica “Clube famoso pela Democracia”

Foto: Davi Bittencourt/Fiel Mil Grau
Foto: Davi Bittencourt/Fiel Mil Grau

A decisão do Corinthians de incluir nos contratos de seus jogadores uma cláusula que restringe o envolvimento dos atletas em assuntos relacionados à política interna do clube segue gerando repercussão.

Durante participação na ESPN, a jornalista Mariana Pereira criticou a medida e chamou atenção para o contraste entre a atual postura da diretoria e um dos capítulos mais conhecidos da história corintiana: a Democracia Corinthiana.

— Por contrato, atletas do Corinthians são proibidos de se envolverem em assuntos sobre a política do clube. A gente está falando de um clube famoso pela Democracia Corinthiana e que hoje passa por isso — afirmou Mariana Pereira.

Stabile confirmou existência da cláusula

A declaração ocorre após o presidente Osmar Stabile confirmar publicamente que os contratos firmados durante sua administração passaram a contar com uma cláusula destinada a manter os jogadores afastados das disputas políticas internas do Corinthians.

Segundo Stabile, a medida foi adotada porque a diretoria entende que o envolvimento do elenco em questões políticas do clube pode interferir no departamento de futebol.

O mandatário também confirmou que a regra está presente no novo contrato de Memphis Depay.

A restrição, segundo a explicação de Stabile, diz respeito especificamente à política interna do Corinthians. Ela não pretende impedir manifestações dos atletas sobre questões políticas nacionais ou sociais.

Memphis Depay virou assunto - Foto: Agência Corinthians.
Diretoria toma decisão sobre Memphis Depay – Foto: Agência Corinthians.

Mariana lembra Democracia Corinthiana

Ao comentar a decisão, Mariana Pereira utilizou a Democracia Corinthiana para questionar simbolicamente a postura adotada atualmente.

O movimento, que marcou a história do clube na década de 1980 e teve nomes como Sócrates, Wladimir e Casagrande entre seus protagonistas, ficou conhecido justamente pela ampliação da participação dos jogadores nas decisões e por manifestações em defesa da democracia.

Para a jornalista, portanto, existe um contraste entre esse passado e a atual existência de uma regra contratual destinada a afastar atletas das questões políticas internas.

A comparação adiciona mais um capítulo ao debate provocado pela decisão da gestão de Osmar Stabile: até que ponto o Corinthians deve separar seus jogadores das disputas políticas do clube e como essa postura dialoga com a própria história alvinegra?