Por que o Corinthians quer mudar o contrato de Memphis Depay? Entenda a estratégia da diretoria

Corinthians - Foto: Leonardo Hubbe/AGIF - Memphis Depay é desfalque na Sul-Americana.
Corinthians - Foto: Leonardo Hubbe/AGIF - Memphis Depay é desfalque na Sul-Americana.

A renovação de contrato de Memphis Depay vai muito além da permanência de um dos principais jogadores do elenco. O Corinthians decidiu apresentar um modelo completamente diferente do vínculo atual, buscando equilibrar a necessidade de manter o camisa 10 com a delicada situação financeira do clube. A estratégia passa por reduzir riscos, criar novas fontes de receita e adaptar a remuneração do atacante à realidade econômica vivida pelo Timão.

Memphis com a camisa da Seleção Holanda, responde sobre o Brasil. Foto: Dean Mouhtaropoulos/Getty Images
Foto: Dean Mouhtaropoulos/Getty Images

O contrato atual virou um problema financeiro

Quando Memphis chegou ao Corinthians, em 2024, o acordo foi celebrado como uma das maiores contratações da história recente do clube. Porém, o alto custo do contrato passou a pesar nas contas alvinegras. Além do salário, o vínculo prevê pagamentos de direitos de imagem, bônus e outras obrigações financeiras.

Em meio ao aumento da dívida, aos três transfer bans aplicados pela FIFA e às dificuldades de fluxo de caixa, a diretoria passou a entender que o modelo precisava ser revisto. O objetivo agora não é reduzir a importância de Memphis, mas criar um contrato mais sustentável para ambas as partes.

Como será o novo modelo?

A proposta apresentada pelo Corinthians mantém um salário fixo, mas amplia a participação do atacante em receitas geradas fora das quatro linhas. A ideia é desenvolver produtos licenciados, promover eventos com a presença do jogador e buscar novos patrocinadores interessados em explorar comercialmente a imagem do holandês.

Dessa forma, Memphis poderá aumentar sua remuneração conforme novos negócios forem fechados, enquanto o clube evita elevar ainda mais sua folha salarial. Segundo o executivo de futebol Marcelo Paz, esse formato permite que o crescimento dos ganhos esteja diretamente ligado ao aumento das receitas.

“Ele recebeu uma proposta que inclui salário, mas também outras formas de remuneração mais criativas, como produtos, eventos e patrocínios”, explicou o dirigente.

Transfer bans aumentam a urgência

Outro fator decisivo é o prazo. O contrato atual de Memphis termina em 31 de julho, e o Corinthians precisa registrar a renovação antes dessa data. Caso isso não aconteça, os transfer bans impedem o clube de registrar um novo vínculo enquanto as punições não forem retiradas.

Na prática, mesmo permanecendo no clube, o atacante ficaria impossibilitado de disputar partidas oficiais até a regularização da situação junto à FIFA. Essa possibilidade acelerou as negociações nas últimas semanas.

Corinthians não quer perder sua principal estrela

Além das questões financeiras, existe um motivo esportivo para tanta pressa. Com a janela limitada pelos transfer bans e pela falta de recursos para investir em reforços, a diretoria considera praticamente impossível encontrar no mercado um substituto do nível de Memphis.

O holandês é visto como uma referência técnica e comercial do projeto esportivo. Sua permanência fortalece o elenco de Fernando Diniz e mantém o clube competitivo em um momento de grandes restrições financeiras.

Por isso, o Corinthians aposta em um contrato mais moderno, baseado na geração de receitas, para transformar um alto custo fixo em uma parceria comercial que beneficie tanto o clube quanto o jogador.

Memphis e Rodrigo Garro no treino do Corinthians. Foto: Rodrigo Coca
Memphis e Rodrigo Garro no treino do Corinthians. Foto: Rodrigo Coca