Uma discussão interna sobre redução de custos ganhou um novo capítulo nos bastidores do Corinthians. E-mails obtidos pela Gazeta Esportiva mostram que dirigentes chegaram a discutir o encerramento do Departamento de Integração no início de 2026, mas a medida não avançou. Segundo o vice-presidente Armando Mendonça, a manutenção ocorreu por decisão do presidente Osmar Stabile.

A informação chama atenção porque o departamento não possuía recursos previstos no orçamento de 2026. Anteriormente, o Corinthians havia informado que a ausência dos valores ocorreu por um equívoco na elaboração do documento e que a continuidade da área estava prevista.
Por que o departamento seria encerrado?
Segundo a Gazeta Esportiva, a descontinuidade fazia parte de um processo de redução das despesas administrativas.
Em e-mail de 11 de fevereiro, Roberto Toledo, gerente de Esportes Terrestres, relatou ter recebido a informação de que o departamento seria desativado.
A medida, somada a outros dez desligamentos em diferentes setores, poderia gerar uma economia próxima de R$ 2 milhões anuais.
Um problema trabalhista, porém, entrou na discussão. Gustavo Lott Fonseca, coordenador administrativo da Integração, integrava a Cipa e possuía estabilidade provisória. O Departamento Jurídico recomendou que o profissional não fosse dispensado sem justa causa devido aos riscos envolvidos.
Alternativas para encerrar o setor e manter Gustavo temporariamente em outra função chegaram a ser discutidas, mas o departamento continuou funcionando.

O que Armando Mendonça disse sobre Stabile?
Procurado pela Gazeta Esportiva, Armando confirmou que a previsão durante o planejamento financeiro era encerrar a Integração.
“Considerando a projeção orçamentária para 2026, construída pelo Departamento Financeiro em conjunto com o Grupo de Reestruturação Financeira à época e, posteriormente, aprovada pelo Conselho Fiscal, pelo Cori e pelo Conselho Deliberativo, no início do ano, ficou decidido pelo encerramento do Departamento de Integração. Solicitei, então, ao gerente do Departamento de Esportes Terrestres que providenciasse o seu encerramento, com as dispensas dos colaboradores”
Ao explicar por que a medida não avançou, foi direto:
“Por decisão do presidente [Osmar Stabile].”

Documentos do processo orçamentário apontaram despesas de R$ 922.930 com o departamento em 2025, sem receita registrada. O Corinthians havia informado anteriormente que o custo anual de recursos humanos da estrutura era de R$ 564.128.
O ex-dirigente Marco Polo também contestou a versão de que houve erro no orçamento. Segundo ele, a retirada dos recursos ocorreu justamente porque havia uma orientação para descontinuar o departamento.
A Gazeta Esportiva informou que procurou novamente o Corinthians para esclarecer por que o encerramento não avançou e qual foi a justificativa para manter a estrutura, mas não havia recebido uma nova resposta até a publicação da reportagem.
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