A defesa do vice-presidente afastado do Corinthians, Armando Mendonça, reforçou o pedido para que o promotor Cássio Conserino seja afastado da investigação relacionada ao chamado “caso Nike“, que apura supostas irregularidades envolvendo materiais esportivos fornecidos ao clube. O requerimento foi apresentado à Justiça e sustenta que o integrante do Ministério Público não possui a imparcialidade necessária para continuar atuando no processo.
A informação e documentos foram obtidos pelo UOL Esporte. Segundo a defesa, além do afastamento do promotor, o pedido inclui a anulação da denúncia apresentada pelo Ministério Público e dos atos processuais diretamente ligados à atuação de Conserino, além da redistribuição do caso a outro membro do MP.
O processo tem origem na investigação sobre o controle e a destinação de materiais esportivos enviados pela Nike ao Corinthians. A apuração ganhou força após uma auditoria interna identificar inconsistências na gestão desses produtos, o que levou o Ministério Público a apresentar denúncia contra Mendonça.
Defesa questiona imparcialidade do promotor
Na petição apresentada à Justiça, os advogados do vice-presidente argumentam que existem elementos capazes de colocar em dúvida a imparcialidade de Cássio Conserino na condução do caso.
Entre os pontos levantados estão manifestações públicas do promotor relacionadas ao Corinthians, publicações em redes sociais e sua participação em eventos ligados ao clube. Segundo a defesa, esses fatores demonstrariam um envolvimento incompatível com a atuação esperada de um representante do Ministério Público em uma investigação dessa natureza.
Os advogados também sustentam que Conserino extrapolou os limites de sua atuação institucional ao conduzir diligências próprias que, segundo a defesa, não integravam o inquérito policial principal.
Ainda conforme o pedido, parte dessas informações teria sido utilizada posteriormente para fundamentar a denúncia oferecida pelo Ministério Público, motivo pelo qual a defesa requer a nulidade dos atos relacionados à atuação do promotor.
Promotor rebate acusações
Em manifestação encaminhada à Justiça, Cássio Conserino contestou os argumentos apresentados pela defesa de Armando Mendonça.
Segundo o promotor, o procedimento chegou ao seu gabinete por meio de distribuição eletrônica realizada em julho de 2025, sem qualquer escolha pessoal sobre o caso.
Conserino também afirmou que não possui relação pessoal com os investigados. Na resposta, reconheceu ser torcedor do Corinthians e integrante do programa Fiel Torcedor, mas destacou que nunca foi associado do clube e que não frequentava suas dependências administrativas antes do início das investigações.
O integrante do Ministério Público acrescentou ainda que sua atuação já resultou em investigações envolvendo dirigentes de diferentes administrações do Corinthians, argumento utilizado para afastar qualquer alegação de direcionamento político.

Caso Nike segue em tramitação
O chamado “caso Nike” investiga supostas irregularidades envolvendo materiais esportivos destinados ao Corinthians.
Com base nas apurações conduzidas pelo Ministério Público, Armando Mendonça foi denunciado pelos supostos crimes de apropriação indébita agravada, tentativa de apropriação indébita agravada, furto qualificado pelo abuso de confiança e coação no curso do processo. Posteriormente, a Justiça aceitou a denúncia, tornando o dirigente réu na ação penal.
Desde o início da investigação, Armando Mendonça nega ter cometido qualquer irregularidade. A defesa afirma que não houve comprovação de desvio de materiais e também questiona as conclusões da auditoria interna realizada pelo clube.
O dirigente já havia solicitado licença temporária da vice-presidência do Corinthians após a apresentação da denúncia, medida que, segundo ele, teve como objetivo preservar a instituição durante o andamento do processo.
Justiça analisará pedido
O pedido para afastamento de Cássio Conserino ainda será analisado pelo Poder Judiciário.
Até que haja uma decisão, o processo continua tramitando normalmente. Caberá à Justiça decidir se acolhe ou rejeita os argumentos apresentados pela defesa do vice-presidente do Corinthians.
Enquanto isso, a ação penal envolvendo o chamado “caso Nike” permanece em andamento, assim como as discussões sobre a condução das investigações.
O desdobramento representa mais um capítulo de um dos principais processos envolvendo a política interna do Corinthians nos últimos meses. A decisão judicial sobre o pedido poderá definir se o promotor continuará responsável pela condução do caso ou se haverá redistribuição da investigação a outro integrante do Ministério Público, conforme solicitado pela defesa de Armando Mendonça. Até o momento, não há prazo divulgado para que a Justiça se manifeste sobre o requerimento.
Veja mais notícias do Corinthians, acompanhe os jogos, resultados e classificação além da história e títulos do Sport Clube Corinthians Paulista.

